Postado em 26 de , 2020



A voz do Senhor prevalece

Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. João 10:2-5

Comecemos por uma definição de “voz”, um “meio que se utiliza para expressar uma mensagem, para transmitir um pensamento”.

O apóstolo Paulo nos diz (I Coríntios 14:10) que há “muitas espécies de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significado”. Ouvimos muitas espécies de vozes em nossa vida espiritual. Há aquelas que transmitem paz, segurança, serenidade, confiança, fé, esperança. Mas existem outras que transmitem dúvida, medo, inquietação, desassossego, desânimo, desesperança, maldição. Há também vozes de engano, que semeiam tentações e ilusões no coração humano, que conduzem à perdição.

Há muitos tipos de vozes no mundo. Às vezes, diante de certas circunstâncias (enfermidade, desemprego, desunião familiar, etc.), nós somos levados, inconscientemente, a dar ouvidos àquelas que não se harmonizam com a de Deus. Entenda: a nossa vida, a nossa caminhada e o nosso destino são determinados pelas vozes que eu e você decidimos ouvir.

Estamos vivendo um momento difícil para a Humanidade. Um vírus tem se espalhado pelo mundo e causado medo, apreensão, pavor, aterrorizando as pessoas. Isso tem semeado dúvidas no coração das pessoas, especialmente sobre o futuro. Todos ficam pensando: “até quando esse estado de coisas permanecerá? Como será a vida depois que tudo isso passar?” A sequência com que as notícias têm sido apresentadas causa espanto e apreensão. Infelizmente, até mesmo suicídios têm sido noticiados em alguns países, porque pessoas decidiram “entregar os pontos”. Na Alemanha, um país muito próspero e desenvolvido, o ministro das Finanças da região de Hesse, Thomas Schäefer, de 54 anos, cometeu suicídio depois de afirmar que estava “profundamente preocupado” com a crise do coronavírus no país. O chefe de Governo disse que o ministro “parecia não ver saídas [para a crise], estava desesperado”. Ou seja, a preocupação gerada pelas notícias sobre o avanço do vírus foi se avolumando em sua mente, causando perturbação de espírito, que se transformou em pânico e desespero; e isso terminou por levá-lo a uma sensação de absoluta impotência para lidar com a situação, daí ele ter cometido o suicídio. As Escrituras também narram pelo menos uma situação em que o desespero levou ao suicídio. Em I Samuel cap. 31, a Bíblia conta que o rei Saul, um homem carnal, apegado ao poder, que confiava na sua própria força, que se recusara a ouvir a Deus, apesar das advertências do profeta Samuel, quando percebeu que seria derrotado numa batalha contra os filisteus decidiu suicidar-se. Ele, primeiramente, pediu ao seu escudeiro que o atravessasse com a espada. Mas este, por temor, não quis matar o próprio rei. Então, Saul, num gesto de desespero, tomou a espada e se lançou sobre ela.

Nestes tempos difíceis, precisamos tomar cuidado com vozes que contaminam nossa mente, nos confundem, nos causam perturbação de espírito, geram medo e desânimo e criam uma fortaleza, como se fosse uma sólida muralha, onde a palavra de Deus não consegue entrar. Essas vozes matam nossa confiança e nos levam a decisões ruinosas, não somente para nós, mas para os que nos cercam. O inimigo se aproveita desse momento difícil e procura estabelecer “fortalezas” (muralhas) em nossa mente, querendo nos mostrar que não existe saída. Ele procura nos bombardear com más notícias, com temores, com pânico, roubando a nossa confiança mediante uma estratégia cuidadosa e engano astuto. Mas o Senhor nos dá armas espirituais para guerrearmos. Em II Coríntios 10:4 está escrito: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo”. Assim como a fortaleza de Jericó desabou diante dos louvores e da adoração dos hebreus, nós precisamos destruir as fortalezas que o inimigo tenta erguer em nossas mentes e nos aprisionar.

Decida, contra tudo o que você tem visto e ouvido, que seu pensamento estará somente no Senhor e nas promessas Dele.  Decida que você não dará ouvidos a más notícias, ao pessimismo, ao pânico. Decida que você rejeitará todo tipo de palavra que possa trazer intranquilidade, apreensão, medo ao seu coração. Não deixe que a voz de Deus seja abafada pelos ruídos de tudo o que está acontecendo. Decida que você ouvirá apenas a voz Dele. E que voz é essa? O Salmo 29 nos traz algumas características.

Lemos no verso 3 que “a voz do Senhor ouve-se sobre as águas”. É impossível conversar debaixo de uma cachoeira, o barulho é ensurdecedor. Se você já viu algo sobre as cataratas do Niágara ou já conheceu as do Iguaçu, sabe do que estou falando. Ainda que a voz do medo esteja gritando nos seus ouvidos, saiba que a voz do Senhor fala mais alto, ela troveja. A voz do Senhor prevalece. A voz do Senhor é que dá a última palavra nas nossas vidas. “A voz do Senhor é poderosa, a voz do Senhor é cheia de majestade”, nos diz o verso 4. Ela tem poder sobre todas as outras vozes, ela dá a última palavra. Ela reina sobre todas as coisas, tudo domina. Nada resiste ao seu poder. Um poder que “quebra os cedros do Líbano” (v.5). Esse tipo de cedro é uma árvore pode atingir até 30 metros de altura. Isso nos remete à força, vigor, resistência. Uma imagem de problemas que parecem indestrutíveis. Mas nada resiste à voz do Senhor. Ele quebrará toda resistência, tudo aquilo que se opõe a você, e te dará a vitória. No verso 8, por sua vez, lemos que “a voz do Senhor faz tremer o deserto”. Se você está num deserto, perdido, sem rumo, o Senhor tremerá o deserto para dizer: “Estou aqui” e te fará saber que você não está sozinho, Ele está com você. 

A medicina diz que precisamos cuidar do nosso sistema imunológico para resistir ao vírus de que falamos, por meio de três simples cuidados diários (higiene, alimentação, isolamento). Da mesma forma, precisamos desenvolver imunidade espiritual, para não nos infectarmos com o vírus do pânico, do desespero. Somos chamados a fazer uma higiene da nossa mente; nos alimentarmos com a Palavra; e ainda nos isolarmos das más notícias. Como nos instrui o apóstolo Paulo em Filipenses, no capítulo 4, vamos ocupar o nosso pensamento com tudo aquilo que é verdadeiro, tudo que é nobre, tudo que é correto, tudo que é puro, tudo que é amável e tudo que é admirável. Pensem no que é excelente e digno de louvor. Ou seja, mais do que nunca, cuide de sua saúde espiritual.

E não menos importante, precisamos entender que tudo o que está acontecendo são sinais dos tempos. Precisamos discernir os tempos em que vivemos. Jesus disse (Lc 12:54-56): "Quando vocês veem uma nuvem se levantando no ocidente, logo dizem: ‘Vai chover’, e assim acontece. E quando sopra o vento sul, vocês dizem: ‘Vai fazer calor’, e assim ocorre. Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como não sabem interpretar o tempo presente?” Muitas coisas que têm acontecido são sinais claros, vindos dos céus. Você sabia que a ocorrência de pestes, além de outros eventos, como guerras e terremotos, foram profetizados por Jesus em Mateus cap. 24? Não podemos ignorar isso. São sinais. E, em vez de ter medo, mais do que nunca precisamos estar atentos a eles. Não podemos dormir espiritualmente. O apóstolo Paulo nos adverte em I Tessalonicenses 5:6: “Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios”. 

É tempo de buscar ao Senhor com intensidade. De ouvir a voz do Pai, e somente ela. É tempo também de fecharmos nossos ouvidos ao que não nos edifica; de rever nossa vida, nossos valores, nosso comportamento, nossos hábitos, nosso relacionamento familiar. É tempo de curar feridas, de seguir adiante, de superar nossos medos, de nos relacionarmos com Deus não de uma forma meramente religiosa, mas desejando ser verdadeiramente transformados.

Claudio Roberto Canata
Juiz Federal