Postado em 23 de , 2020



Preparando uma geração

“Afinal, Abraão certamente se tornará uma grande e poderosa nação, e todas as nações da Terra serão abençoadas por meio dele. Eu o escolhi para que ordene a seus filhos e às famílias deles que guardem o caminho do SENHOR, praticando o que é certo e justo. Então farei por Abraão tudo o que prometi” (Gênesis 18:18-19 NVI)

Não seria possível discorrer sobre esse tema tão relevante nos dias atuais, desprezando termos absolutamente ligados, como paternidade e herança. De acordo com a Palavra de Deus, a geração atual deveria receber as promessas das gerações passadas por meio de seus pais. O Deus de Abraão se tornou o Deus de Abraão e Isaque e depois o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó.

Há diversos meios de se preparar uma geração, no entanto, o mais eficaz, santo e atual é no Senhor, Aquele que é o caminho, a nossa herança! E nós podemos fazê-lo por meio da Sua Palavra, pois a Bíblia diz que “Isto se escreverá para a geração futura; e o povo que se criar louvará ao Senhor” (Salmo 102:18 ARC). Então, podemos entender que a Bíblia é um livro que também foi escrito para as gerações e que seu propósito é o de que possamos conhecer e prosseguir em conhecer o Senhor.

Isso, por sua vez, só é possível por meio do relacionamento. E aqui eu não estou afirmando que seria possível unicamente no relacionamento entre pais e filhos naturais, uma vez que mesmo aqueles que não possuem pais naturais podem contar com seus pais espirituais, mentores e líderes na casa de Deus e isso nos remete ao caráter de paternidade que há no chamado profético, à semelhança do que aconteceu com Abraão quando mesmo já sem um pai natural para aconselhá-lo, recebeu direção da voz de Deus, creu nela e obedeceu aquilo que o Senhor lhe dirigia.

Saiba querido leitor, que há um legado profético, espiritual sobre sua vida, no que diz respeito à responsabilidade de preparar uma geração, não só para o enfrentamento ‘daquilo que está por vir’, como também para conhecer o Senhor e ver Sua manifestação de poder. E seus filhos e filhas na fé podem viver esse legado com porção dobrada! Note que Abraão recebeu um filho, Isaque, o filho da promessa, que por sua vez teve gêmeos de um ventre naturalmente estéril, sendo um deles Jacó, que gerou 12 filhos para constituir as 12 tribos de Israel. Mesmo sendo um crescimento já expressivo, a bênção seria ainda maior, pois outros milhões entraram na Terra Prometida, todos esses filhos de um mesmo pai.

Para que nós possamos viver esse fluir de bênçãos, é necessário que cada geração desenvolva um relacionamento ainda mais íntimo com Deus do que a geração anterior. É a falta de interesse em buscar o Senhor que nos impede de transmitir o legado para a próxima geração, levando à perda da herança dos filhos de Deus. Ao barrarmos esse fluir, nós perdemos filhos e netos em números gigantescos para o mundo, o que forçará cada geração a iniciar sua própria ‘nova’ era de escavação, de busca e entendimento de quem Deus é. Os riscos que há em um cenário assim são descritos em Juízes 2:10 diz: “Depois que aquela geração morreu e se reuniu com seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o SENHOR nem tinha visto as grandes coisas que Ele havia feito por Israel” (NVT).

Pare pra pensar! Se uma geração tivesse se posicionado para receber tudo aquilo que o Senhor quisesse transmitir, que tipo de tesouro encontraríamos depositado nela? Quando algum de nós sai do foco da luz de Deus, não seremos só nós que perderemos, a qualidade da próxima geração também ficará comprometida.

Perceba como o que falamos até aqui está diretamente ligado com as nossas decisões, especialmente aquelas tomadas na impulsividade, que nos desviam do caminho, as que surgem a partir de uma circunstância momentânea. Temos como exemplo o estrago que é provocado quando um pai de família não está sendo fiel à sua esposa no local de trabalho! Eis um tipo de decisão que poderá estabelecer um padrão profano nas gerações seguintes.

Dialogando com isso, Dr. Mark Hanby, no livro ‘‘Não tendes muitos Pais’’ afirma: “a primeira geração da Igreja foi incrível. Ela viveu dias em que a sombra dos apóstolos curava, prédios tremiam, homens se convertiam durante as pregações, aleijados saltavam de alegria, pessoas comuns falavam em línguas, e demônios saiam das pessoas. O mundo foi virado de ponta cabeça. Não é de se espantar que a perda desse poder e o enfraquecimento da unção seja aparente. Jesus afirmou que as obras que faríamos seriam maiores que as dEle; mas em algum lugar da história o fluir de poder foi interrompido”.

Em oposição a essa realidade, Deus nos chama hoje para tomarmos decisões que vão imprimir um padrão santo e impactar positivamente com um legado imaculado toda uma geração por meio do relacionamento geracional. Decisões tomadas com base na Palavra de Deus nos assegurarão a preservação de uma herança a ser transmitida.

Antes que Elias fosse levado de Eliseu ele pergunta: “Pede o que queres que te faça”! Eu creio que o pedido de Eliseu em resposta a isso foi nada mais que um desejo pela continuidade do fluir de poder. Ele não só queria fazer as mesmas coisas, como também quis porção dobrada. Nosso relacionamento com o Pai vai multiplicar a herança dos nossos filhos, desde que a nossa intensidade aumente a cada dia. E a única forma de recebermos e assim transmitirmos a herança, é por meio do relacionamento entre pai e filho.

Existia um padrão de aliança que Deus estabeleceu para Abraão, a aliança da circuncisão. Em Gênesis 17:9-10, a Bíblia afirma “Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado” (RA). Uma interpretação dessa passagem nos leva à uma compreensão de que o Senhor quer imprimir na vida do homem, por meio do membro reprodutor masculino, como que uma lembrança da responsabilidade de reproduzir sua herança (aliança) em Deus.

Lemos em Deuteronômio 19:14: “Não mudes os marcos do teu próximo, que os antigos fixaram na tua herança, na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá para a possuíres” (RA). Deus não tem alegria com os que removem os marcos territoriais (heranças) daqueles que os sucederão.

Quando Jesus afirmou que dentro de nós há uma fonte a jorrar para vida eterna, é porque nossos filhos e filhas na fé beberão de uma fonte legítima, de alguém que tem visão de continuidade e que protegerá seu legado até que o próximo assuma essa herança.

Pr. Alessander Guimarães

Pastor de Área dos Unânimes (Jovens)

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