Postado em 08 de Agosto, 2021



Nossa resposta em tempos difíceis

Em tempos difíceis em que tantos acontecimentos trágicos assolam a humanidade, pandemias, crises, desastres climáticos, rumores de guerras, instabilidade geopolítica, diluição dos valores que regeram nossa sociedade até aqui, é comum algumas pessoas começarem associar os fatos atuais com a cronologia escatológica, ou seja, com a cronologia do fim dos tempos, gerando mensagens escatológicas com aspectos sensacionalistas que mais assustam do que preparam as pessoas para a volta do nosso Senhor Jesus Cristo.

A curiosidade quanto aos acontecimentos do fim não é algo novo. Em todas as épocas, pessoas tentam fazer esse tipo de associação. Até mesmo os discípulos de Jesus por duas vezes se mostraram ansiosos para saberem exatamente o dia e a hora em que aconteceria o fim dessa era e em ambas nosso Senhor, no lugar de suprir-lhes a curiosidade, os direciona para sua missão, para aquilo que Ele espera de nós, mostrando que nossa atenção, primeiramente, deve estar em ser o tipo de pessoa que Ele espera que sejamos cumprindo a missão que já nos revelou, a saber, a de realizarmos “boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Efésios 2:10 NVI). 

A primeira vez que essa curiosidade surgiu no coração dos discípulos está no próprio capítulo 24 do Evangelho de Mateus, onde encontramos o sermão profético de Jesus com a cronologia dos acontecimentos do fim. No entanto, ao terminar de narrar os acontecimentos vindouros, o Mestre traz um direcionamento claro aos seus discípulos sobre o que eles deveriam ter como foco em meio à todas essas revelações, precisamente, qual o tipo de pessoa que eles deveriam se tornar a fim de estarem preparados para a vinda do Senhor. Jesus nos mostra isso a partir do verso 36 de Mateus 24 e por todo o capítulo 25, dissertando sobre como espera que sejamos encontrados na ocasião de sua segunda vinda: fiéis, prudentes, cheios do Espírito Santo, fazendo a obra de Deus e sendo uma extensão do seu amor para as pessoas a nossa volta. 

Já a segunda vez em que vemos os discípulos fazerem o mesmo questionamento para Jesus se encontra narrada no capítulo 01, verso 06 de Atos: “...é neste tempo que restaurarás o reino a Israel?”. Novamente como resposta, em vez de lhes saciar a curiosidade, Jesus faz a mesma afirmação de anteriormente, a de que somente o Pai conhece o dia e a hora e que isso não lhes competia saber. É então que mais uma vez Ele volta ao foco principal, aquilo em que eles deveriam empenhar sua dedicação: exercer o chamado a partir de uma vida transformada e empoderada pelo Espírito Santo, ou seja, serem testemunhas

Enquanto os discípulos seguiam curiosos para saber quando e como as coisas aconteceriam no fim dos tempos, Jesus estava direcionando-os para o que realmente importa, o sermos a extensão do ministério de Cristo na Terra

Ao que tudo indica, esse direcionamento de Cristo surtiu grande efeito na vida desses discípulos que vieram a ser os apóstolos da igreja. Um claro exemplo disso é Pedro. Em sua segunda epístola, no terceiro capítulo, vemos ele dissertar sobre o Dia do Senhor e os fatos do fim com detalhes riquíssimos, porém, no verso 11 o apóstolo faz a seguinte pergunta: “Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoa é necessário que vocês sejam?”. O despertamento de Pedro quanto ao assunto foi tão grande que ele próprio passa a enfatizar a revelação de que não só precisamos esperar pelo Dia do Senhor, como também devemos apressar a Sua vinda, cumprindo cabalmente aquilo de que fomos incumbidos. 

Como Pedro nos ensina e nos adverte na continuação do capítulo, precisamos nos preparar e sermos encontrados em “paz, imaculados e inculpáveis” (v. 14 NVI), mantendo os olhos fixos em Jesus. Por isso, em dias difíceis como os nossos, creio que precisamos nos concentrar não em tentar adivinhar as datas, símbolos ou horas, debatendo e assustando irmãos mais fracos na fé, antes, nosso foco deve estar em sermos a igreja gloriosa, a noiva imaculada, sem mancha ou ruga que o Senhor Jesus virá buscar. 

Finalizo essa reflexão com uma citação do doutor Russell Shedd: “a escatologia não tem por finalidade saciar nossa curiosidade, mas sim despertar nossa responsabilidade”. Creio que essa frase resume de alguma forma o enfoque que nosso Senhor estava trazendo aos discípulos e nos direciona para qual deve ser nossa maior preocupação em meio a tudo isso. 

Fiquem todos na Paz do Senhor!

Pr. Athos Henriques

Pastor de Área dos Awakes (Adolescentes)

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